Ao perguntar sobre o “futuro das máquinas”, não é surpresa ouvir algumas especulações pessimistas do viés “as máquinas irão tomar o controle”, advindas da ficção científica, ao invés da visão da cooperação Humano-Máquina.

Além de todo o cenário fictício de dominação apocalíptica robótica, um medo mais palpável encontra-se em relação ao trabalho. “As máquinas vão roubar meu trabalho” é uma frase que representa um pensamento equivocado acerca do avanço tecnológico, pois a tecnologia não representa um inimigo, mas sim um aliado.

A interação entre humanos e máquinas está cada vez mais avançada, em uma relação íntima quase que simbiótica. A estranheza ao adaptar-se a tal realidade ainda é enfrentada por diversas pessoas, o que pode atrasar o processo de cooperação humano-máquina.

Inteligência Aumentada: o futuro da cooperação humano-máquina

O uso de tecnologias a favor da humanidade é o cerne da cooperação Humano-máquina. Quando se trata de Inteligência Artificial, tal utilização recebe o nome de Inteligência Aumentada, que nada mais é do que aplicações de IA que auxiliam na execução de tarefas e decisões.

“Este futuro cooperativo entre ambos é o que leva a sociedade ao progresso”.  Dr. John Kelly, vice presidente de Centro de Pesquisas da IBM

Como foi tratado em nosso artigo sobre Inteligência Aumentada, tal cooperação vai permitir extrair o melhor de nossa capacidade cognitiva. Seguindo esse princípio, a Alice Balanço permite maior produtividade aos analistas de crédito, permitindo que o tempo destinado ao planilhamento de balanço, por exemplo, possa ser destinado a outras atividades na jornada da análise de crédito.

Novos horizontes

Assim, a tendência no mundo profissional é conectada a nossa adaptação, ou seja, cada vez mais as ocupações demandarão uma interação humano-máquina em um nível cooperativo. Em outras palavras, máquinas e humanos vão trabalhar cada vez mais juntos, o que fará cada vez mais ocupações surgirem (e outras, se extinguirem).

Para que a humanidade acompanhe esses novos horizontes profissionais, aspectos culturais, estratégicos, técnicos, e outros deverão ser mudados/adaptados às mudanças. A compreensão de que máquinas podem ser aliadas dos humanos deve ser alcançada. Assim, novas skills relacionadas à Tecnologia da Informação e demais áreas deverão ser concebidas, além da gestão de dados se tornar crucial.

Outro exemplo é a IA criada por Jacob Crandall, , da Universidade Brigham Young, nos EUA. A cooperação consiste num algoritmo que permite a cooperação humano-máquina em jogos de duplas – em que foram feitos testes para máquina-máquina, humano-máquina e humano-humano.

“A inteligência artificial precisa ser capaz de responder a nós [humanos] e articular o que está fazendo. Ela tem que ser capaz de interagir com outras pessoas,”, defendeu Jacob Crandall

Cooperação Humano Máquina rumo à Acessibilidade de usuários e integração social

O desenvolvimento tecnológico não só vai maximizar nossa capacidade cognitiva e produtividade, como também torna possível a inclusão e acessibilidade de cada vez mais grupos de pessoas, permitindo uma integração social, comunicação e inovação tecnológica cada vez maior.

Um ótimo exemplo disso está sendo desenvolvido por um de nossos colaboradores, Gabriel Cheban, graduando em Ciências da Computação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em sua Iniciação Científica orientada por Vânia Paula de Almeida Neris. O projeto consiste em quebrar obstáculos acerca da criação de jogos por usuários finais cegos. A literatura para esse tipo de tecnologia é um tanto quanto escassa, e o grupo identificou como um campo onde a tecnologia pode cooperar para a integração de pessoas.

A iniciação científica (IC) esteve vinculada a um projeto de doutorado que permite a criação de jogos sem a necessidade de entender programação. No segundo semestre de 2018, a equipe levou esse projeto ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Carlos, permitindo a implementação em contexto sérios, para com grupos de baixo letramento e em situação de recuperação química.

Dessa forma, temos o objetivo da IC foi a complementação do framework do primeiro projeto. Nele, houve uma adaptação para apoiar um grupo maior de pessoas – no caso, pessoas cegas– na criação de jogos. Tal framework baseia-se em uma arquitetura de software, um modelo de colaboração e um editor para criação – o Lepi.

Os pesquisadores utilizaram-se dos outros sentidos, para criar uma interface tátil-audível. Isso permite a interação de pessoas cegas por meio do tato e áudio, oferecendo maior imersão dos usuários. Foi utilizado um tabuleiro háptico (Lepi Board) com peças representando elementos gráficos, e um software com interface auditiva (Lepi Builder), além de conter instruções para os usuários.

O trabalho desenvolvido pelo Gabriel durante sua Iniciação Científica lhe rendeu o prêmio de melhor artigo (best-paper) da VII Jornadas Ibero-americanas de Interação Humano-Computador.


O futuro que precisamos moldar é um que a harmonia entre humanos e máquina exista e que possamos ter uma cooperação que permita que nossa sociedade avance da melhor maneira possível.